Publicado por: Diéfersom | 28/02/2010

[Review] Black Kamen Rider

Ah Black Kamen Rider, quantas lembranças da infância. O ano não recordo, tão pouco importa. São vagas lembranças de algumas batalhas, a transformação, os ataques, o vilão e da primeira batalha entre Black e Shadow.

Não sei se pro medo de perder aquele velho e bonito clima de saudosismo e aquelas lembranças infantis nunca fui atrás de vídeos ou, especialmente, dos episódios dos tokusatsu que assistia na infância. Sabe quando você vê uma coisa da época de criança e acha ruim, feio, chato e acaba por pensar ‘putz eu gostava disso…’ Pois é, eu nunca mais olhei as séries por causa disso. Seria um atentado à própria memória infantil. E se eu descobrisse que o Jiban era podre? Ou que Flashman poderia uma cópia de Changeman? Vai saber… A fim de evitar esse trauma evitei o contato.

Não lembro como, talvez o tédio estivesse em níveis acima da média, acabei em um canal de Youtube do usuário sandros2007. Lá estavam todos os episódios dessa série. Foi num dia único com as ‘defesas cerebrais’ baixas que resolvi assistir o primeiro episódio de Black Kamen Rider novamente. E eis que algumas semanas depois cá estou eu fazendo o inesperado.

Terminei de assistir a série, mas, como deu prá perceber, desde os primeiros episódios já estava animado e postando impressões parciais.

Então vamos por partes:

Os efeitos visuais são totalmente datados. Impossível não deixar escapar uns risos nos primeiros episódios. Mesmo no decorrer da série alguns elementos ainda saltam aos olhos. Mas para além disso vemos uma melhora significativa no decorrer dos episódios. Não sei se foi o caso de uma injeção de verbas ou se apenas os caras aprenderam a usar melhor o material que tinham. Um exemplo: Sempre que um monstro mutante alado raptava um humano, a cena revelava de maneira óbvia um boneco de pano sendo levado. Sabe aqueles de Casseta e Planeta mesmo? Com as pernas moles e balançando? Esse mesmo. Mas depois melhora e passam a fazer um trabalho visual melhor.

Na contra-mão temos a trilha sonora. Já disse em outros textos, mas trilha sonora tem que ser muito diferente e boa prá captar a minha atenção. É exatamente o que temos aqui. A abertura pode não causar aquela ótima primeira impressão, mas as demais músicas e trilhas de fundo são ótimas. A música de batalha ‘Blackhole Message’ de Toshiya Igarashi combina bem com o clima. A música de transformação ‘Transform! Rider Black’ também de Toshiya Igarashi é ímpar, as vozes femininas no início chegam a dar arrepio lá pelas tantas. O encerramento da série é perfeito. O arranjo e melodia combinam perfeitamente com a essência triste da série.

Os vilões da série, os sacerdotes Gorgom causam uma ótima primeira impressão. Claro, como qualquer série com mais de dez episódios os vilões se mostram inúteis com seus planos infalíveis que sempre falham. Mas faz parte. Para refrescar os ares temos Taurus, ou Birugenia na versão japonesa. O sujeito é arriado prá caramba. Mesmo caindo nesse lugar comum do “Na próxima vez eu vou te matar, se cuida maluco!” ele trouxe bons embates para a série.

Shadow Moon é único. Ele exerce uma atração quase instintiva. O outro lado do herói, seu perfeito oposto tanto na mentalidade quanto na armadura. A fórmula perfeita nesse tipo de série. Mas infelizmente Shadow só mostra a que veio nos últimos episódios. Aliás, ele já demora uma eternidade prá despertar sem nenhum motivo razoável, e quando aparece causa uma tensão grande mas fica apenas reproduzindo o que os sacerdotes fizeram: mandar monstros mutante tentarem fazer o trabalho de um imperador Secular.

Os protagonistas Satie (apesar de eu achar que deva ser Sachie), Kyoko e Ryusuke, o detetive. As garotas fazem um importante papel nos últimos momentos e durante a série acabam sendo o catalisador dos momentos dramáticos. Ryusuke é daqueles aliados legais que aparecem uma ou duas vezes mas que roubam a cena quando dão as caras.

Issamu Minami é um ótimo protagonista. Carismático até o talo. Acharam um ótimo ator prá viver uma ótima história.

O clima da série desde os primeiros episódios é triste. A perca de um irmão afeta os irmãos de criação Kyoko, Satie e Issamu. A frágil esperança se esvaindo a cada episódio e culminando na aparição e atrocidades cometidas pro Shadow Moon amplifica a tristeza.

Black Kamen Rider é de uma seriedade impressionante. Alguns episódios são realmente emocionantes e tristes. Aliás, a grande sacada é essa: não ter medo do dramático. Que eu lembre em apenas um momento Shadow Moon toma uma atitude totalmente sentimental relembrando o velho Nobuhiko. Ou seja, as esperanças de trazê-lo de volta são sempre próximas de zero, e os personagens sabem disso.

Em alguns episódios impressiona huamanos sendo transformados em monstros mutantes pelos Gorgom como acontece em um episódio. Em outros crianças são possuídas pelos monstros fazendo maldades e dificultando a vida de Black. Essa frieza colabora no clima geral da série.

Agora é gosto pessoal. Os estilos de luta e a dinâmica da série são muito legais. Os únicos acessórias que Black usa são suas duas motos que, sejamos francos, ele só invoca quando está na pior. As batalhas sendo travadas nos chutes pontapés da cara ficam em harmonia com a série. A boa e velha porrada.

Aliás, a filosofia Gorgom é bem interessante. Sempre me causa boa impressão vilões que tentam destruir a humanidade prá “proteger” algo. Aquela velha idéia conflitante: matar os humanos prá ajudar a Terra ou dá-los a chance se perceber e consertar? Claro que a moral Gorgom é reconstruir ao seu modo. Então, de algum modo o objetivo de salvar o planeta se perde através dos episódios.

Ao contrário do que imaginei a minha impressão infantil sobre Black Kamen Rider apenas ganhou contrastes mais atuais. O medo de ser surpreendido com uma péssima e datada série que fazia sentido apenas na infância caiu por terra. A série merece ser vista e revista por quem gosta, ou já gostou um dia de Tokusatsu.

Seguem algumas fotos dos episódios:

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Responses

  1. […] Para quem não viu as primeiras impressões sobre Black estão aqui, um review dos 12 primeiros episódios está aqui, e o completo se encontra aqui. […]


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