Publicado por: Diéfersom | 18/03/2010

[Review] Kamen Rider Black RX

Já fiz um comentário rápido sobre os primeiros episódios da série aqui.

Como ontem acabei de assistir episódios chegou a hora da opinião de RX como um todo. Lembro-me de duas entrevistas que li recentemente com o ator de Issamu Minami, Tetsuo Kurata, em que comenta que preferia fazer Black à RX por gostar mais do clima sério; e na outra entrevista Kurata diz que os próprios produtores não gostaram do clima ‘happy’ da série trazendo novamente alguns elementos de seriadade no decorrer dos episódios. Com essas informações em mente podemos prosseguir.

Se BLACK Kamen Rider tem um dos episódios iniciais mais memoráveis dos tokusatsu e seu clima sombrio, triste e sério ainda é um grande passo para o gênero em RX temos o caminho inverso: um clima comum.

A forma como RX foi desligado de BLACK causa estranheza. Pouco dos antigos elementos se mantém intactos. Pelos comentários dos fãs podemos notar que um dos méritos de BLACK era ser porradeiro. Ir no soco e pontapé contra os oponentes. Suas “armas” eram duas motos que serviam normalmente de suporte. Com RX temos a inclusão de um carro, uma nova versão da Battle Hopper chamada Acrobata (AcroBattle) e de uma espada de luz chamada Metalion com a qual desfere o golpe fatal.

Essas remodelações e inclusões fazem com que as batalhas ganhem aquele tom normal de enrolação. Metalion é tão poderosa que com um golpe mata praticamete todos os oponentes da série, porém, como todo tokusatsu normal, é usada apenas depois de uma série inútil de socos, chutes e saltos. Acrobata e Ridron, o carro, lá pelas tantas, são esquecidos. A próprio base da tranformação de BLACK foi alterada. O Kingstone se mantém, mas a fonte real dos poderes de RX passa a ser o Sol.

Um ponto que gera divisão são as formas alternativas que RX passa assumir: Robô Rider e Bio Rider. Cada qual com sua arma própria e uma versão diferente de Acrobata. Essas formas tornam RX tão poderoso e dando conta de tantos poderes que é difícil ter alguma surpresa com os vilões. Na verdade mais do que gostar dessas inclusões acabamos apenas nos acostumando.

Na primeira metade da série o humor é chato e enfadonho. Os episódios tentam ser criativos mas caem no senso-comum tokusatsu. Na segunda metade da série há um apelo dramático um pouco maior o que torna a ‘coisa’ mais familiar, mais fácil de digerir. Porém ainda há picos de qualidade enormes entre os episódios.

Pontos positivos foram a inclisão de amigos de Issamu. Joe Kazumi é um dos pontos mais altos da série. Um sujeito que sofreu modificações em seu corpo no planeta Kaima e que foi resgatado pro RX. Joe se torna uma espécie de braço direito de Issamu e o ajuda naqueles momentos tensos. O que torna a presença de um aliado interessante é que ele não faz NADA de impossível. Ele não vence os monstros e robôs do império Crisis, apenas ajuda em distrações e outros tipos de planos. Pode parecer pouco mas a ajuda de Joe Jazumi é fundamental ao seu modo e isso torna as coisas mais dinâmicas. Kyoko é outra aliada que aparece em alguns momentos pontuais para ajudar Issamu com seus poderes ‘especiais’ de controle da água.

Um dos momentos que poderia ser melhor aproveitado e que marca a passagem para tentativas mais sombrias e sérias é o retorno de Shadow Moon. Esse momento é a única parte da série em que Issamu relembra de seu irmão de criação Nobuhiko e de seu passado. Porém o papel de Shadow, mesmo dando ótimos indícios, acaba sendo uma cessório mal usado. Sinceramente achei que Shadow Moon seria aquela força entre RX e Crisis gerando dificuldades para ambos já que não deixaria os subordinados de Jark matarem RX, mas ao mesmo tempo tentaria fazê-lo. Nada disso… Shadow aparece e some sem deixar saudades nesta continuação.

Ao final a aparioção dos dez Riders anteriores dá a sensação de que a coisa vai pegar fogo. Mas visivelmente foi apenas uma jogada simbólica. Os Riders anteriores pouco, ou nada, participam das batalhas e dos momentos decisivos. Aliás, eles participam sempre como expectadores ou derrotando os bucha-de-canhão ao lado de Joe Kazumi. Uma referência bela ao passado da série Kamen Rider, mas que, novamente, não empolga.

Os vilões possuem uma estética ótima. General Jark, Mariebaron, Gatezon, Bosgan, Gadorian. Obviamente eles entram naquela velha linha de fugir do confronto direto e ter seus planos frustrados, mas isso é o normal. A relação de disputa entre esses comandantes é interessante. Porém, a inclusão de soldadinhos bucha-de-canhão é desnecessária.

A motivação do Imperador Crisis é interessante: proteger seu povo. Pena que isso é pouco trabalhado durante a própria série. No final temos diálogos interessantes sobre esse ponto de conflito Crisis x Terra. Uma pena não ter sido diluída a idéia entre os 47 episódios.

A primeira parte de RX é sofrível, porém vai melhorando e sendo uma boa série para passar o tempo e distrair. Quem gostou do estilo ‘alternativo’ de BLACK dificilmente vai conseguir se adaptar totalmente à sua continuação. Mesmo sendo contraditório RX deve ser levado em conta como uma série totalmente diferente e alternativa à BLACK. Quando se consegue essa compreensão a degustação da série é facilitada.

Para quem viu apenas RX não há problemas: RX é uma boa série em si mesma. Divertida, com um Issamu carismático, muita ação, vilões legais. Uma série que tentou bater num público alvo um pouco mais jovem mas que mesmo assim trouxe elementos de drama.

RX só consegue ter uma “nota baixa” quando posto ao lado BLACK.

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Responses

  1. Concordo. Para uma série que foi continuação direta de Kamen Rider Black, Kamen Rider Black RX é muito vaga. Issamu Minami, o protagonista, parece não ter nenhuma ligação com o passado, Satie e Kyoko nem são lembradas na série, Shadow Moon reaparece mas não empolga mesmo (muita coisa fica mal explicada, como, por exemplo, a forma em que o princípe da sombra descobriu que Black se transformou em RX) e os 10 Riders seniores, que outrora destruiram impérios, são meros coadjuvantes. Eu acredito que se fosse melhor trabalhada, a série poderia ser muito mais empolgante, com Shadow Moon, 10 Riders, Satie e Kyoko e até se tocando na moto Lord Sector (outro sumiço intrigante).
    No meu ponto de vista, as habilidades das duas formas alternativas de RX também deveriam ser um pouco explícitas, especialmente de Robo Rider, ele é o príncipe do fogo e da tristeza. A moto Roboizer não aparece em nenhum episódio além do que ela surge pela primeira vez (nem mesmo no episódio 27, onde RX derrota Shadow Moon, se transforma em Robo Rider e pede a Acrobata que detenha o monstro). Sem falar que sua super força é ofuscada muitas vezes e a forma Bio Rider é acionada e resolve a situação (o que causa a impressão de que Bio Rider é melhor do que Robo Rider).


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