Publicado por: Diéfersom | 05/02/2011

Hiroshima e Metrópolis

Existem algumas obras que são envoltas por uma grande fama. Mesmo não sabendo nada sobre elas você consegue dizer que são clássicos, ou que possuem uma crítica positiva e tudo mais. Essa semana comprei duas dessas obras. Metrólpolis, de Osamu Tezuka, e Hiroshima de Fumiyo Kouno. O primeiro é um clássico incontestável, que ganhou um movie de animação belíssimo. O segundo, uma obra mais recente que ganhou diversos prêmios importantes em 2004 e 2005.

Kouno tem um traço um tanto quanto diferente de todo o restante que eu já vi, ao menos em se tratando de obras nipônicas.  A própria ‘movimentação’ dos personagens se parece muito mais com o estilo infatil norte-americano. A forma como o roteiro é executado para e como a sequência dos quadros demonstram a história me lembram muito as histórias da Disney. Pode ser uma impressão errada, mas não podia deixar de constar. A história é muito interessante e a maneira como os personagens são tratados também. Toda essa parte psicológica de viver numa cidade que tem como pano de fundo um passado recente trágico torna a obra de uma sutileza profunda. São três histórias, sendo que todas elas interligadas e mostrando diferentes etapas e relações com a bomba atômica.  Não é a toa que se trata de uma obra premiada.  Ótima iniciativa da JBC de trazer este mangá sob o selo JBC Graphic Novel. O preço de 19,90 é compensado pelo tipo de papel, que me pareceu ser de uma boa qualidade. Altamente recomendado.

Já Metrópolis me chamou a atenção por ser a primeira obra em mangá de Tezuka que tive contato. Estava em dúvida entre A Princesa e Cavaleiro e Metrópolis na hora da compra, mas acabei escolhendo o segundo. Não sabia muita coisa sobre a obra ao comprá-la, e isso gerou algumas surpresas. A primeira foi com o próprio traço de Tezuka. A segunda com a disposição dos quadrinhos. Outra com seu tipo de humor. Uma coisa é ler sobre Osamu Tezuka. Saber que seu estilo influenciou praticamente toda a indústria moderna de anime e mangá. Que ele foi um dos pioneiros no estilo dinâmico da disposição dos quadros e de desenho. Mas, fazer este movimento ‘inverso’ tendo primeiro o contato com os ‘netos e bisnetos’ e depois lendo o próprio Tezuka é uma experiência interessantíssima. Sinceramente, e muita gente vai querer me matar por dizer isso, demorei um pouco para me acostumar com o estilo. Ainda não terminei a leitura, mas apenas agora, chegando na metade da obra, é que consigo ler mais tranquilamente. Muitas vezes algumas cenas parecem “cortadas”. Por exemplo, uma hora o policial Higeoyaji observa uma entrada estranha na parede, e no próximo quadro eles já estão dentro de uma nova sala, atingida através desta entrada e a porta já está se fechando. Na verdade consigo imaginar que esse tipo de cena que para nós é estranha e até ‘cortada’ demais, para a época já era de um estilo inovador e, provavelmente, mais dinâmico do que o resto.

Interessante ter a sensibilidade de perceber o que para nós se tornou óbvio por causa de Tezuka, ao reler sua própria obra parece algo simples. Na época era revolucionário e hoje se tornou algo comum, mesmo nas comix.

Sobre a história vou comentar com mais calma depois que terminar de ler. Apenas não podia deixar de comentar as primeiras impressões sobre a leitura do meu primeiro Tezuka! Bola dentro da editora New Pop que investiu num clássico que já deveria ter sido lançado há tempos por aqui.

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