Publicado por: Diéfersom | 11/05/2011

Desmistificando o Otaku

Tem gente que não sabe. A origem desse povo que vai em evento de anime e que hoje se chama otaku é bem menos gloriosa do que a maioria gostaria. Hoje os otakus criticam a dublagem, a nacionalização das músicas de abertura e encerramento dos animes, odeiam crianças que se vestem de Naruto e conhecem apenas os animes famosos de porrada.

Tem gente que não sabe. Mas foi justamente com essa trindade do mal que o anime se popularizou no Brasil. Cavaleiros do Zodíaco, dublado, com músicas totalmente feitas no Brasil, e com crianças assistindo e brincando loucamente de cosmo, armadura e ataques aportuguesados. Pior, com crianças que nem sabiam o que significava a palavra anime, que não conheciam bulhufas sobre o Japão e que se encantavam com qualquer episódio inédito que surgisse pela frente.

Tem gente que não sabe. Mas a febre retornou em 2000 com Pokémon. Dublado, e tendo como padrão a versão americana. Só aí, e com as revistas especializadas é que se popularizaram os termos, as origens, a cultura. Só aí, e com a popularização da internet é que o negócio começou a se tornar o que é hoje.

Ou seja, aquela criança que nem sabe o que é filler, que canta a versão nacional da música de abertura e que brinca de ser o personagem foi a grande responsável por hoje existir alguém que se denomina otaku e quer ser cult. A popularização desses elementos japoneses funciona mais ou menos como a banalização do nerd. O que aconteceu? O elemento diferenciador e de difícil acesso se tornou lugar-comum. Antes a tecnologia, os games e talz era mais restrito, então o nerd era mais bem definido. Hoje todo mundo tem computador, e tem acesso ao que antes só o nerd tinha. Com o otaku é a mesma coisa. O anime virou lugar-comum, o mangá hoje é tão normal quanto as HQ’s nas bancas. Os eventos de anime se tornaram feiras. O problema são as pessoas que não entendem que a popularização é o que permite que essas coisas cheguem até nós. Óbvio que vão ter pessoas que se chamam de otakus e curtem apenas um anime. Faz diferença? Só prá quem se importa. Cada um tem o seu terreno.

Em todas as áreas é assim. Existem pessoas que entram pela moda. A coisa perde a profundidade que todos gostariam. Surgem ‘farofeiros’. Mas e daí? E daí que Naruto passou a ser senso-comum? Idiota é quem deixa de assistir/ler por causa disso. E daí que você conhecia aquela banda de j-rock bem antes dela ter a música como abertura do anime Y, e agora se tornar popular? Faz diferença? Egoísmo idiota querer limitar o acesso de uma coisa que só chegou até você por que já era popular em outro grupo…

Outra coisa, tem gente que acha que ser otaku é um estilo de vida. Convenhamos. Ser otaku é simplesmente ter influência nipônica maior em algumas áreas da vida em que normalmente as pessoas tem mais influência americana e européia. Estilo de vida? Todo mundo escuta música. A diferença é que boa parte das músicas do otaku vem do Japão (e normalmente vão se enquadrar em pop/rock/metal…). Quase todo mundo assiste alguma coisa (novela, seriado, desenho), a diferença é que a fonte do otaku é nipônica. Estilo de vida? Acredito que seja apenas uma mudança simples de influência.

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